Outubro Rosa: Câncer de mama e as mulheres jovens

Por Liga FCC | 22 de outubro de 2015

de Artur Katz**

O câncer de mama acomete cerca de uma a cada oito mulheres, mais predominantemente entre os 55 e 65 anos. Entretanto, temos acompanhado crescente número de mulheres mais jovens atingidas por essa forma de tumor. Não estão inteiramente claras as causas deste fenômeno. Cerca de 85% a 90% das mulheres portadoras de câncer de mama desenvolvem a doença por causas não hereditárias, possivelmente relacionadas a fatores adquiridos, tais como tabagismo durante a menarca, etilismo, não terem tido filhos e/ou não terem amamentado etc. Fatores que ganham cada vez maior importância nos dias atuais são o excesso de peso e o sedentarismo.

Mudanças de hábito, tais como incorporação de exercícios aeróbicos ou caminhadas (150 minutos/semana) na rotina das mulheres, associadas à preocupação em manter o peso dentro de índices de massa corporal normal (20 a 25), contribuem claramente para redução do risco de desenvolvimento do câncer de mama. Cerca de 10% a 15% dos casos ocorrem por conta de mutação genética ocorrida em um dos genes, que aumenta o risco de desenvolvimento de câncer de mama. Estes tumores caracteristicamente tendem a ocorrer em mulheres mais jovens, muito embora possam também manifestar-se mais tardiamente.

O diagnóstico precoce dos tumores de mama tem contribuído de forma importante para o aumento dos índices de cura. Apesar da importância de a mulher conhecer bem a mama, autoexame não constitui forma adequada de realizar-se diagnóstico de câncer de mama, uma vez que apenas os tumores palpáveis serão detectados. Quando falamos em diagnóstico precoce, estamos discutindo a descoberta de lesões de diâmetro inferior a um centímetro, reveladas apenas por métodos de imagem. Assim, a realização sistemática, anual, de mamografias deve ser adotada por todas as mulheres a partir dos 40 anos. Em mulheres portadoras de mutação, que aumenta seu risco de desenvolvimento de câncer de mama, estão indicadas avaliações com início mais precoce, exames mais frequentes, realizados a cada seis meses e a incorporação da ressonância nuclear magnética na rotina de exames.

Diagnóstico precoce não apenas contribui para aumento significativo da chance de cura, mas também frequentemente permite emprego de cirurgias de menor extensão, com preservação da mama, permitindo alcançar excelentes resultados cosméticos. Por outro lado, o desenvolvimento de técnicas cada vez mais avançadas e de profissionais experientes em técnicas de reconstrução mamária pós-mastectomia permite excelentes resultados estéticos ao fim do tratamento.

** Artur Katz é médico oncologista (USP), com especialização em Oncologia Clínica no Memorial Sloan-Kettering Cancer Center em New York e coordenador de Oncologia Clínica do Centro de Oncologia do Hospital Sírio-Libanês.

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