Amanda descobriu o câncer no terceiro mês de gestação

Por Liga FCC | 19 de fevereiro de 2015

Às nove da manhã desta quarta-feira (11), Denis Gomes entrou em um cartório da capital paulista para se casar. Mas, em vez da noiva, levava nas mãos apenas uma procuração. Amanda Oliveira Neves, gerente de tecnologia da informação de 32 anos, não pôde comparecer. Estava internada no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, grávida de 28 semanas e com câncer. Enquanto ele assinava os papéis que formalizavam a união de cinco anos e conferiam à Amanda seu sobrenome, ela recebia o resultado do exame de sangue feito horas atrás. Suas plaquetas estavam, de novo, baixas demais.

Virou-se para o enfermeiro e disse: “Vai, menino, bota logo esse sangue aqui que eu preciso me casar!”. Amanda se referia à surpresa arquitetada desde a semana passada, quando soube que a cesariana não poderia mais esperar. O sarcoma alveolar já tomava a parte de trás de seus olhos e descia até a região do queixo. Seria preciso iniciar um tratamento mais agressivo. Sem condições de presenciar o próprio casamento civil, ela planejou uma cerimônia na área externa do hospital graças à ajuda da equipe do local. Pouco antes das duas da tarde, Denis estranhou a chegada de tantos familiares.

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“Achou que aquelas 70 pessoas estavam ali para acompanhar o nascimento de sua filha”, diz a sogra, Fátima Neves. “E reclamou que ia tumultuar o lugar”. Com um lenço na cabeça e a filha ainda na barriga, Amanda entrou ao som de violinos. Estava de braço dado com o pai. Um pastor adventista celebrou a missa, que durou menos de meia hora, a tempo de a noiva não perder o centro cirúrgico. “Ela tava tão lindinha de véu e buquê”, diz Fátima. “Foi maravilhoso”.

Emocionada, Amanda agradeceu a presença dos convidados e correu para trocar de roupa no quarto. Era a hora de Lorena. A bebê cresceu junto com a doença, descoberta no terceiro mês de gestação por causa de um inchaço nos olhos que demorou a despertar a desconfiança de Amanda – certa de que não passava de alergia a um protetor solar. Ao receber o diagnóstico, a paciente não se viu num dilema entre sua vida e a da filha. Disse aos médicos que lutaria contra o câncer desde que nada afetasse Lorena, recusaria qualquer procedimento com a menor chance de prejudicar a criança.

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A quimioterapia começou em outubro. Saía das sessões na oncologia pediátrica para a ultrassonografia, em que a situação da placenta era monitorada. “Ela tem muita garra, resistiu bravamente ao tratamento com um astral tão positivo”, afirma Fátima. Em seu perfil do Instagram, chamado Força e Energia, feito há cerca de um mês, foi exatamente essa energia que Amanda emanava em cada foto que postava, em momentos de conversa com sua bebê na barriga. Poucas horas antes do parto cesárea de alto risco, a futura mãe postou uma foto com o marido e escreveu: “A hora é agora! Vem Lorena, está tudo pronto para sua chegada!! #vaidartudocerto #universoconspirando #forcaeenergia”.

E deu tudo certo, com direito a uma “festa” nos corredores do hospital quando Lorena veio ao mundo, pesando pouco mais de um quilo e arregalando os olhinhos para a mãe. Lorena foi encaminhada para a UTI neonatal, como previsto, por sua prematuridade. Amanda já está no quarto e conversa com o marido. Durante do dia 12 de fevereiro de 2015, a mãe coruja postou uma foto no Instagram com a bebê em seus braços: “Enfim, mãe por inteiro! Emocionada, babona e muito, muito grata por chegarmos aqui, vencendo todos os desafios da quimioterapia. Lorena nasceu aos 7 meses de gestação, com 36,5cm, com 1,170kg e uma Tonelada de boas vibrações. Está na UTI neonatal como combinado, respirando sem necessidade de entubar (também como combinado, né filha?). Estamos descansando, felizes e agradecendo, por tudo, sempre!”

(Matéria publicada no site Revista Crescer)

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